quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Quem são os 144 mil mencionados no livro do Apocalipse?

Um dos temas que mais intrigam os adventistas e os cristãos em geral são os 144 mil do Apocalipse. Muitos não compreendem nem mesmo os aspectos mais básicos em relação a eles – se o número é literal ou simbólico, se eles fazem parte da chamada “grande multidão” e, principalmente, quem são eles. Em grande parte, isso se deve a um conselho de Ellen White, de se evitar discussões inúteis sobre esse assunto, assim como outros não essenciais para a salvação.[1] No entanto, ela mesma citou esse grupo dezenas de vezes em seus escritos, relacionando-o a acontecimentos cruciais para o povo de Deus no tempo do fim, como o selamento e a grande tribulação. Tamanha foi a importância desse grupo em seu ministério profético, que os 144 mil foram representados logo em sua primeira visão, sobre o povo do advento.[2]

Apesar de haver escrito tanto sobre os 144 mil, Ellen White nunca os definiu claramente. A própria Igreja Adventista até hoje não tem uma posição oficial abrangente sobre o assunto. Embora o Instituto Bíblico de Pesquisas, órgão oficial da Associação Geral, interprete o número como simbólico[3], a igreja não determina oficialmente essa compreensão como uma crença.[4] E, apesar de o Seventh-day Adventist Commentary declarar que, até à época de sua reedição (1980), os adventistas favoreciam a interpretação de que os 144 mil são um grupo especial do povo de Deus nos últimos dias – um grupo à parte da grande multidão[5] –, essa também não era nem é até hoje uma posição oficial da igreja. O assunto ainda está em estudo, e o que se enfatiza não é quem são os 144 mil, mas como ser parte deles, como alcançar a salvação.[6]

Por outro lado, se Ellen White condenou discussões inúteis, também encorajou os adventistas a não desistir de buscar conhecer cada vez mais a Bíblia e as profecias.[7] Em uma de suas mais fortes declarações, ela afirmou: “A história da igreja nos ensina que o povo de Deus não deve ficar estereotipado em suas teorias da fé, mas preparar-se para nova luz, para abrir a verdade revelada em Sua Palavra.”[7]

Portanto, os ensinos e profecias da Bíblia podem e devem ser compreendidos cada vez mais à medida que o tempo passa e os estudos progridem. Aspectos como a justificação pela fé, que Ellen White não compreendia inicialmente, foram entendidos por ela décadas depois. Da mesma forma, partes da Bíblia que ela não entendia, pela falta de estudos mais profundos à época, hoje podem ser mais bem compreendidas (assim como Daniel não entendia suas próprias profecias, mas hoje podemos compreendê-las, ver Daniel 12:4).

Avanços
Nas últimas décadas, diversos estudos envolvendo os 144 mil têm sido divulgados por meios oficiais da igreja, como o Instituto Bíblico de Pesquisas da Associação Geral (BRI, sigla em inglês), lançando mais luz sobre o assunto. Uma importante coleção de materiais sobre Daniel e Apocalipse lançada no início dos anos 1990 é a série Daniel & Revelation Comitee Series, conhecida como “Darcom”. Num dos volumes da coleção, um capítulo escrito por Beatrice Neall, “Sealed Saints and the Tribulation” (“Os Santos Selados e a Tribulação”) trata diretamente dos 144 mil.[8] Nesse estudo, um ponto especial pode ser destacado: a relação entre os 144 mil e a “grande multidão” de Apocalipse 7. Em vez de enfatizar as diferenças entre ambos os grupos, a autora apresenta diversas “marcas de identificação” entre eles – evidências de que podem constituir um só grupo. Assim como ela, outros acadêmicos adventistas, como Ekkehardt Mueller, um dos diretores associados do BRI, também favorecem essa posição.

Os 144 mil são apresentados em duas seções, em Apocalipse: 7:1-8 e 14:1-5. No capítulo 7, o relato sobre os 144 mil é seguido pela descrição de uma multidão inumerável. A primeira grande evidência de que os 144 mil e a grande multidão podem ser o mesmo grupo é a própria estrutura do livro do Apocalipse. O capítulo 7 é um hiato, um parêntese entre o sexto e o sétimo selos. Ele responde a uma pergunta básica feita pelos ímpios no sexto selo.

Diante da expectativa da vinda de Jesus, os ímpios clamam aos montes e aos rochedos: “Caí sobre nós e escondei-nos da face dAquele que Se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande dia da ira dEles; e quem é que pode suster-se?” (Ap 6: 16, 17). Parafraseando, “quem poderá ficar de pé quando Cristo voltar?” Em 7:9, a resposta é direta: “Depois destas coisas, vi e eis grande multidão que ninguém podia enumerar [...] em pé diante do trono e diante do Cordeiro” (v. 9). Mais à frente, no livro, os 144 mil são vistos em pé junto ao Cordeiro, no monte Sião (Ap 14:1).

Os 144 mil e a grande multidão são descritos em momentos diferentes, como os únicos que podem ficar de pé diante de Cristo, em Sua vinda à Terra. Isso deixa claro que ambos são o retrato do povo de Deus que estará vivo por ocasião da volta de Jesus. A questão é: Eles são dois grupos ou um só?

Um grupo
Assim como Beatrice Neall, Ekkehart Mueller, em seu artigo “The 144,000 and the Great Multitude”[9] (“Os 144 mil e a Grande Multidão”), apresenta argumentos convincentes em favor de que ambos os grupos são um só: (1) João ouve o número dos selados (144 mil), mas, na sequência, contempla uma grande multidão (7:4, 9), assim como em 5:5, 6 ele tinha ouvido sobre um Leão, mas viu um Cordeiro; (2) no capítulo 7, os 144 mil são os justos do tempo do fim descritos ainda na Terra; a grande multidão é um retrato desse povo já no Céu; (3) os 144 mil são a descrição do povo de Deus no tempo do fim, que vai passar pela grande tribulação (representada pela liberação dos ventos); a grande multidão são os que já passaram pela tribulação (7:3, 14); (4) os 144 mil são os selados antes da liberação dos ventos (7:3); a grande multidão logicamente precisou ser selada antes de passar pela grande tribulação (7:14).[10]

O selamento e a grande tribulação são as principais marcas de identificação, conforme Neall chama, entre os 144 mil e a grande multidão. Ambas as marcas dão fundamentos para se enxergar semelhanças, não diferenças, entre os grupos. Os dois grupos foram selados e passaram pela tribulação. Não é à toa que, no livro O Grande Conflito, Ellen White se refira aos 144 mil, citando versículos referentes diretamente à grande multidão (Ap 7:14-16).[11]

Assim, resta uma dúvida: O que poderia diferenciar os 144 mil da grande multidão? Haverá dois grupos de justos vivos quando Cristo voltar? Alguns argumentam que os 144 mil são as “primícias” (Ap 14:4), um grupo especial em relação à grande multidão. No entanto, “primícias” pode se referir aos 144 mil como os primeiros frutos da “colheita universal de redimidos de todas as eras”. Diante disso, Mueller conclui que “é melhor entender que os 144 mil e a grande multidão são o mesmo grupo, visto por diferentes perspectivas”. Para ele, os 144 mil representam um “termo simbólico”, enquanto a grande multidão “descreve a realidade”. [12]

O simbolismo dos 144 mil pode encontrar sua realidade na grande multidão em diversos outros aspectos, entre eles: (1) origem étnica – João ouviu de um grupo composto por 12 tribos de 12 mil filhos de Israel, mas viu uma multidão de tribos (7:9); (2) número – João ouviu um número exato, mas viu uma multidão inumerável (7:4, 9); (3) pureza – os 144 mil são descritos como puros, sem mancha, assim como a grande multidão, vestida de vestiduras brancas (14:4. 5; 7:14); (4) proximidade ao Cordeiro – os 144 mil “seguem o Cordeiro para onde quer que vá”, assim como a grande multidão serve de “dia e de noite” diante do trono e do Cordeiro (14:4; 7:15, 17); (5) serviço – os 144 mil são “servos de Deus”, e a grande multidão também “serve a Deus” (7:3, 15).

Hans K. LaRondelle, eminente teólogo adventista, apontou os 144 mil como o povo remanescente de Deus no tempo do fim, fiéis de todas as nações que “guardam os mandamentos de Deus e têm a fé em Jesus” (Ap 14:12). Segundo LaRondelle, eles enfrentarão a crise final promovida no mundo pelo anticristo. Ou seja, ele enxerga nos 144 mil um simbolismo do remanescente que passará pela grande tribulação.[14]

Diante das evidências apresentadas, torna-se ainda mais claro que o número 144 mil é simbólico. O próprio contexto das passagens indica isso: tanto no capítulo 7:1-8, como em 14:1-5, a linguagem diretamente ligada aos 144 mil tem forte simbolismo – ventos, quatro anjos, quatro cantos, selamento na testa, homens virgens, doze tribos de Israel (a maioria extinta, além de a lista não corresponder à original dos doze patriarcas), etc. É mais coerente entender os 144 mil das 12 tribos de Israel como que simbolizando a unidade, perfeição, completude e vastidão da igreja de Deus.[15]

Portanto, é possível concluir que os 144 mil simbolizam a grande multidão – a multidão inumerável que atravessará a crise final da Terra. Há razões para se acreditar que Jesus não virá para buscar um pequeno grupo de remidos, nem dois grupos de justos vivos na Terra, mas um remanescente fiel composto por uma multidão inumerável de todas as nações. Virá buscar um povo que terá passado por muitas dificuldades, mas que contou com a proteção de um Deus que lhes enxugará pessoalmente “toda lágrima” (Ap 7:17). Mais importante ainda é nos prepararmos para pertencer a esse grupo.


(Diogo Cavalcanti, editor na Casa Publicadora Brasileira)


Referências:
1. White, Ellen G. Eventos Finais, p. 268.
2. White, Ellen G. Primeiros Escritos, p. 15-23.
3. Pfandl, Gerhard. “Information on the Seventh-day Adventist Reform Movement”. Biblical Research Institute. Num ponto desse artigo, a crença reformista de que 144 mil é um número literal é posta em contraste com a crença adventista do sétimo dia de que o número é simbólico. Disponível em:http://www.adventistbiblicalresearch.org/Independent%20Ministries/SDA%20Reform%20movement.htm
4. Nichol, F. D. (Ed.). Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 7. Hagerstown, MD: Review and Herald, 1980. p. 783.
5. Ibid., p. 785.
6. Ibid., p. 783.
7. White, Ellen G. Caminho a Cristo, p. 112. Conselhos Sobre a Escola Sabatina, p. 23.
8. White, Ellen G. Cristo Triunfante, p. 317.
9. Frank Holbrook (ed.). Beatrice Neall. “Sealed Saints and the Tribulation”. Symposium on Revelation – Book I. Daniel & Revelation Committee Series. Hagerstown: Review and Herald, 2000. p. 245-278.
10. Mueller, Ekkehardt. “The 144,000 and the Great Multitude”. Biblical Research Institute. Disponível em:http://www.adventistbiblicalresearch.org/documents/144%2C000greatmultitude.htm
[1]1. Ibid.
[1]2. White, O Grande Conflito, 648, 649.
[1]3. Mueller. Ibid.
[1]4. LaRondelle, Hans K. “Prophetic Basis of Adventism”. Adventist Review, 1° de junho-20 de julho, 1989. Disponível em:http://www.adventistbiblicalresearch.org/documents/Prophetic%20Basis%20Adventism.htm
[1]5. Neall, Ibid. 262, 269.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Tabela Cronológica Sobre a Reforma de Saúde segundo Ellen White

Encontrei essa tabela com os anos que Ellen White recebeu as visões sobre saúde. Ela é bem útil para entendermos que a reforma de saúde não foi dada em uma única visão, mas em várias ao longo de anos e por isso ela foi progressiva, mas não ao ponto de considerar todo alimento cárneo, incluindo as carnes de animais limpos como imundo ou que a igreja devesse fazer prova de comunhão quanto a elas. 


sábado, 2 de dezembro de 2017

O Anjo de Apocalipse 18 - Tempo e Circunstância Para sua Vinda

Esse estudo foi elaborado por Emerson Rocha, ex-reformista que hoje congrega na igreja Adventista do Sétimo Dia. 

O estudo é grande por isso será dividido em duas partes. Na primeira apresento o seu estudo completo e na segunda parte, as respostas as 11 principais objeções que os reformistas apresentam a esse estudo.

Os nomes dos livros estão ao final do estudo. Se tiver dúvidas quanto as abreviações basta rolar a barra lateral até o final.

O Anjo de Apocalipse 18 - Objeções e Respostas - 2ª Parte

Esse estudo foi elaborado por Emerson Rocha, ex-reformista que hoje congrega na igreja Adventista do Sétimo Dia. 

O estudo é grande por isso foi dividido em duas partes. Nesta 2ª parte apresento as respostas as 11 principais objeções que os reformistas apresentam a 1ª parte do estudo. Pra ver clique aqui.

Os nomes dos livros estão no final do estudo nº 1. Se tiver dúvidas quanto as abreviações basta clicar aqui.

domingo, 20 de agosto de 2017

Carne como prova de comunhão é uma doutrina inventada pela ASD-MR

Estudo retirado de um grupo de whatsapp postado pelo Pastor Benildo Gabriel

Irmãos, nós apresentamos mais de 8 textos de Ellen White em datas diferentes, mostrando que carne não é prova de comunhão. Os irmãos da reforma não apresentaram nenhum.

Qual a principal missão dos Adventistas da Reforma - IASDMR?

Quero nesse estudo mostrar definitivamente para todos os interessados que a igreja Adventista do Sétimo Dia - Movimento de Reforma ensina que sua principal missão é tirar os membros da igreja Adventista e levá-los para sua pretensa reforma.

Em seu livro "A mensagem de Deus ao povo do advento" eles fazem várias afirmações semelhantes sobre serem os escolhidos e o povo remanescente que fala na Bíblia contrariando assim os escritos de Ellen White.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Derrubando a tese reformista: "Mateus 19:9. É o Casamento um Concerto Vitalicio?"

A tese reformista de como deve ser interpretado Mateus 19:9

Para eles o texto de Mateus 19:9 fala sobre noivos veja o que dizem:

"O ponto destacado: “não sendo por causa de prostituição”, na mente de muitos, parece deixar uma cláusula de exceção sob a qual poderia-se contrair novas núpcias. Ou seja, segundo esta passagem, se houver prostituição, o marido pode então deixar sua esposa e contrair um novo

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A IASD e o Ecumenismo

O que Deus diz sobre a unidade?

Por Ganoune Diop, diretor do Departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da Associação Geral

Os adventistas do sétimo dia me despejam questões quando descobrem que eu representei a Igreja Adventista nas Nações Unidas e em reuniões de organizações ecumênicas cristãs.

sábado, 6 de agosto de 2016

IASD-MR Dita Regras Sexuais Não Bíblicas a Seus Membros

Cuidado ao entrar para a Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma, pois a mesma dita regras sexuais para seus membros baseados nos antigos ritos do santuário celestial.

Todos os cristãos da nova dispensação sabem que o véu do santuário se rasgou na morte de Cristo e assim foram abolidas todas aquelas regras que existiam sobre os rituais do templo. Também foram abolidas as festas e reuniões dedicados ao templo. Depois da morte de Cristo houveram muitas mudanças, mas o povo reformista ignora totalmente o que realmente foi

sábado, 2 de julho de 2016

Duas igrejas da Reforma a partir de 1951 - um estudo exaustivo

Nesse post você vai encontrar vários link que falam sobre a separação do Movimento de Reforma em 1951 e suas  duas tentativas de reconciliação.

Quando criei esse blog minha intenção era contar a história da separação movimento reformistas em 1951 e mostrar os documentos que tinha em mãos, mas no decorrer do estudo percebi o quanto equivocado eles se encontram ao não terem o espírito de Cristo e alimentarem tão grande rivalidade e oposição entre si. Suas obras depõem contra o que professam ser. Espero sinceramente que vejam a verdade ao se aprofundarem nesse estudo.

A divisão da reforma em 1951. Duas organizações distintas.

Eis uma breve explicação do que sucedeu na Assembléia Geral em 1951, na Holanda, segundo os documentos que expediram e de que temos cópias.

O Movimento de Reforma viveu até 1951 num ambiente de discórdia e desarmonia. Quem já leu o “Livro do Pecado” (reformista) sabe muito bem como a história da Reforma até aquele ano foi uma história marcada por lutas e dissidências.

sábado, 10 de outubro de 2015

Terceiro caso de texto falsificado pela Igreja da Reforma

Já publiquei aqui no blog dois estudos falando sobre esse tema, mas pelo visto, essa questão da falsificação de textos atribuídos a Ellen White ou mesmo a líderes pioneiros adventistas é recorrente na igreja da reforma.

Hoje eu trago para meus leitores e estudiosos da verdade sobre o movimento de reforma mais uma mentira e engano propagado por um século a seus membros por esse falso movimento reformatório.
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