sexta-feira, 22 de junho de 2012

A Volta do Irmão X


Confira o depoimento de um adventista que em determinado momento de sua vida resolveu ser reformista e depois de 5 anos na IASD-MR voltou para a igreja adventista.

Desde aquele dia em que dissemos adeus ao irmão X, que fascinado pelas aparências enganadoras da reforma, nos deixou, cinco longos anos se passaram.

Foram cinco anos vividos e sofridos por esse pobre irmão, e
também cinco anos suados para os reformistas que viram periclitar seu monopólio de "aparências" diante do exuberante zelo sem entendimento do irmão X.

Alguns, é verdade, estimulados e aguilhoados pelas exigências sempre crescentes do nosso herói, mais se firmaram em suas ideias canhestras; outros, porém, desanimados por não poder acompanhar o trote, deram de mão a tudo, voltando-se para a amplidão vazia da descrença.

Deixemos que ele mesmo nos conte a história desses cinco anos em que foi perseguido pelos "santos" reformadores e que nos narre como afinal se converteu.

— Irmão X, gostaríamos que nos contasse sua experiência e que, sem se preocupar com a gramática, falasse de coração a coração, narrando-nos toda a verdade. Conte-nos por que o irmão deixou a igreja; o que encontrou na reforma e por que, afinal, está de volta à casa paterna!

— Pois bem, pastor. É justamente isto que eu quero fazer! Contar toda a verdade!

"Como o senhor sabe, fui um homem extremamente zeloso! Zelo sem entendimento, é verdade, mas o fui na minha sinceridade.”

"Como Saulo, vivi durante estes últimos anos respirando ódios e ameaças, e participei de apedrejamentos morais dos líderes, dos obreiros e da própria Causa de Deus.”

"Saí da igreja porque no íntimo me julgava mais santo do que os demais.”

"À medida que me sentia mais purificado, mais santificado, mais aborrecia meus irmãos. Hoje compreendo a origem destes sentimentos, mas naquele tempo eu pensava que era obra do Espírito Santo.”

"Para mim, todos estavam apostatados, e só eu me encontrava no muro, tapando a brecha. Quando não resisti mais e me sentia sem forças para salvar a igreja, zarpei para a reforma, certo de que ali encontraria um pugilo de bravos dispostos a dar a vida pelos princípios e pela verdade, mas foi uma desilusão! O mundanismo e a hipocrisia medram dentro da reforma, como agrião no banhado, e lá eles têm problemas ainda maiores que os nossos.”

"É verdade, pastor, que há na reforma pessoas sinceras que procuram seguir a verdade tal qual ela é em Jesus; porém, a maioria é composta de homens e mulheres que fazem da aparência o seu deus, e a ninguém hoje na face da Terra se aplicam tão bem as advertências de Cristo, como a eles, os modernos fariseus, que por fora, são como sepulcros caiados, formosos à vista; por dentro, cheios de ossos de mortos e de toda a imundície. São eles os que se esmeram no exterior, mas interiormente estão cheios de rapina e iniquidade. Exteriormente parecem justos, mas interiormente estão cheios de hipocrisia e maldade.”

"Digo isto, pastor, porque sei o que estou falando.”

"O senhor sabe perfeitamente que para um homem se orientar por princípios, ele precisa ser veraz, honesto e acima de tudo manso e humilde de coração.”

"Isto de não comer carne e outras proibições justas e razoáveis, não quer dizer que uma pessoa seja de princípios por esse motivo. O boi, o cavalo, as ovelhas, os cabritos e grande parte dos irracionais não comem carne, e nem por isso são santos, como também não é santo o homem só por deixar de comer certas coisas.”

"Conheci na reforma, como conheço na nossa igreja, homens e mulheres que fazem do regime alimentar prova de discipulado, que são rígidos e intransigentes quanto a comer e beber, mas que, entretanto, são pessoas intratáveis, intoleráveis, falsas como a serpente, tais quais eu era quando capengava deste lado. Não que o regime alimentar sadio as tenha transformado em hipócritas. Absolutamente! E, sim, porque se entrincheiram atrás de um regime para criticar os demais, e acabam se convencendo de que são melhores e mais puros que os outros; e daí, e de outras coisas semelhantes, surge a figura sinistra, terrível e espantosa do fariseu, que proclama em todos os seus atos e palavras as virtudes do pretensioso 'santo' descrito por Isaías: 'Retira-te, e não te achegues a mim, porque sou mais santo do que tu.' Estes, diz Deus, 'são um fumo no Meu nariz, que arde todo o dia'. Isa. 65:5.

"Hoje eu continuo vegetariano, e como tal espero morrer, mas propus-me seguir o conselho de Paulo, de não condenar os que comem e de não me deixar levar pelo engano do diabo, que procura encher a gente de vento, dando-nos a entender que somos superiores a todos os mortais.”

"Na reforma, pastor, encontrei alguns homens leais, sinceros, que estão lá porque acham que é o único lugar no mundo em que podem estar; mas a grande maioria, principalmente dos que saíram da nossa igreja, estão lá de raiva, por pirraça, e não voltam atrás por teimosia.”

"Estudei o movimento da reforma nas suas origens e nos seus variados ramos. Deus está dirigindo esses movimentos tanto quanto está dirigindo os pentecostais, os testemunhas de Jeová, os promessistas e outros movimentos semelhantes.”

"Um adventista jamais deixaria sua igreja para se enfiar numa arapuca dessas! Então o diabo fez um arremedo da verdade, criando a reforma, para atrair os incautos e aqueles que desejam mais luz sem obedecer à luz que possuem. O reformismo deu para mim, como para todos os que saíram da igreja, a impressão de ser uma luz mais brilhante, uma verdade mais pura, um movimento mais santo, quando na realidade é um movimento de rebelião originado por aquele que não se firmou na verdade, que é mentiroso e pai da mentira, o mesmo ser que no Céu se levantou contra Deus e que no deserto levantava os príncipes e os maiorais da congregação contra o ungido do Senhor.”

"Prova irrefutável de que isto é verdade, são as divisões que surgem entre eles e a visível desaprovação divina pela ausência da harmonia, da paz, da compreensão, do amor e do progresso que não existem entre eles.”

"A reforma só cresce para baixo, como os galhos do chorão, e se multiplica dividindo-se.”

"A associação geral dos diversos movimentos muda de cá para lá, como cuia de chimarrão na roda do chá.”

"Cada chefe que é apeado do poder sai a cavalo aos pinchos, num movimento novo. Ninguém se conforma em perder cargos e vantagens.”

"Não estou inventando estórias, não senhor. Quem duvidar do que estou dizendo, leia o 'Livro do Pecado' do Sr. Nicolici. O que está escrito ali, dá para convencer qualquer cabeçudo de que a reforma não é coisa boa nem tem boa origem.”

"Convenci-me disto no primeiro ano que estive lá, mas fui me aguentando para ter tempo de examinar direitinho e assim tomar uma resolução da qual jamais viesse a me arrepender.”

"E à resolução foi tomada, pastor! Volto para a igreja curado do farisaísmo e de toda justiça própria, certo de que a reforma jamais me iludirá.”

"Estou convicto de que na igreja existem fraquezas e pecados, mas Deus no Seu amor me tem convencido de que entre todos eu sou o principal: entre os fracos, sou o mais fraco; entre os necessitados, o mais necessitado; e dou graças a Deus por este sentimento novo que tomou posse do meu coração.”

"Houve uma época em que nossa igreja resvalou à beira do precipício do legalismo, mas Deus suscitou entre nós homens que se ergueram e trabalharam para pôr as coisas no seu devido lugar, e assim, a justificação pela fé baniu do nosso meio a repugnante doutrina da justiça própria.”

"Ao reformismo esta tragédia não foi poupada! Como o fariseu de outrora, eles ainda hoje oram e dizem em atos e palavras: 'Graças Te dou, ó Pai, porque não sou como os demais homens!”

"Mas todas essas exterioridades como um fim, como sucede na reforma, e não o resultado de uma integridade interior, são a maior falseada religiosa que conheço!”

"Cinco anos passei lá, pastor, vendo e ouvindo barbaridades, e agora sei por experiência até que ponto pode ser ruinoso o extremismo.”

"Foram anos mal vividos. Anos carregados de ódios, de críticas, de maledicências, de acusações, em que vivi colecionando recortes de revistas adventistas e abarrotando pastas de livros sublinhados em pontos estratégicos para golpear meus irmãos! Anos que o gafanhoto comeu; em que não ganhei uma alma para Cristo, em que raras vezes pronunciei o Seu nome!”

"Sei o que me espera pela frente ao ter que enfrentar lobos vestidos de peles de ovelhas, mas Deus há de me dar forças, e não esmorecerei.”

"Discutir com reformistas é duro, pastor!”

"É como usar uma faca afiada para demolir pedreiras. Não que eles sejam mais versados na Bíblia ou no Espírito de Profecia, e, sim, porque não temem usar os recursos daquele que é mentiroso e pai da mentira!”

"Entrincheirados por detrás dos Testemunhos, com ares de guia de cegos, são capazes de varar noites após noites atirando lama contra a igreja de Deus, sem perceber que eles mesmos estão todos enlameados.”

"Hoje, graças a estes cinco anos que convivi com eles, sei como enfrentá-los, mas só o faço por extrema necessidade, porque ouvi-los em suas arengas, é decrescer na fé, na esperança e no amor. É cortar pedra com faca afiada. Prefiro trabalhar silenciosamente com aqueles que, como eu, estão sendo iludidos, ludibriados pela aparência enganosa do casarão velho, carcomido, caiado de novo, com ares de confortável residência, que se chama Reforma!”

"Eu é que sei dos ratos e morcegos que vicejam por lá! Eu é que sei das vigas podres que sustentam o edifício; dos caibros corroídos que pendem impotentes! Conheço seus fundamentos esfaqueados na areia, e senti o bafio do mofo, que se levanta dos seus porões encharcados.”

"Posso, com o auxílio de Deus, evitar para muitos os sofrimentos e angústias por que passei".

— Bem, irmão X, percebo quão radical foi a sua transformação! Hoje, o irmão não é mais aquele bicho-papão, aquele golias que atemorizava e ameaçava nossos arraiais. Vejo em sua face, em suas palavras, aquela serenidade que dá testemunho de uma experiência mais profunda, mais racional . . . Conte-nos como foi que achou o caminho de volta e como afinal se converteu.

— Ah! pastor, a história é longa e triste. Não consigo recordar toda essa miséria sem sentir um fogo dentro de mim. Não guardo rancor de ninguém, mas não posso perdoar a mim mesmo, por ter sido tão simplório, caindo nessa arapuca!

"Logo que entrei para a reforma, senti-me como que transportado ao paraíso, tal o sentimento de alegria que tomou posse de mim. Mas foi só a sensação da mudança, porque, dias depois, caía na realidade e me sentia profundamente infeliz.”

"Gostava do ambiente, deliciava-me com as críticas e procurava imitar meus parceiros, reformando os outros, mas eu mesmo sentia-me cada vez mais deformado.”

"Os reformistas, pastor, fazem uma força imensa para se convencerem de que possuem a verdade, mas poucos entre eles estão realmente convencidos disto.”

“Eles contemplam a marcha à ré que vêm dando através dos anos, miram o rastro sinuoso que ficou gravado na estrada do tempo, e sentem no íntimo que estão recalcitrando contra os aguilhões!”

“É verdade que há em todos eles um simulacro de alegria, mas no âmago da alma todo reformista é antes de tudo um triste.”

“A igreja da reforma é triste, pastor! Triste como um claustro abandonado, e vazia como a solidão monótona de um deserto.”

"O único fogo que ainda os aquece, a única chama que ainda bruxuleia em suas reuniões áridas é o pique contra a igreja grande! Não fosse isto, há muito eles já se teriam diluído e desaparecido na voragem do tempo.”

"Bem, não devo alongar-me mais expondo os sentimentos e os fatos que vi por lá. Deixem-me apenas contar como e por que voltei.”

"Foi num sábado pela manhã. Nosso grupo da reforma havia programado realizar a Escola Sabatina no sítio do irmão... e passar o dia por lá.”

"Como não me sentisse com entusiasmo para enfrentar a carroceria de um caminhão e os solavancos da estrada cheia de buracos, resolvi ficar em casa lendo a Bíblia e trocando ideias com a esposa, sobre a nossa vida, que passo a passo estava sendo deformada pela reforma.”

"Fizemos a Escola Sabatina com as crianças, cantamos um hino sem muita vontade e então saí para dar uma volta pela cidade, sozinho, com meus pensamentos.”

"Andei sem rumo, vagando de praça em praça, até que em dado momento me encontrei defronte da "igreja grande". Eram quase onze horas da manhã e o sermão por certo já havia começado, pensei. Quis entrar, mas a coragem faltou. Virei nos pés e comecei a me afastar ligeiro”.

"Antes, porém, de chegar à esquina, estaquei. Por que não vou lá ver o que esses apostatados estão dizendo? Medo, por quê?”

"Sem mais hesitar tomei o rumo da igreja e fui entrando. Passei pelo diácono que me conhecia, o qual olhou-me assustado. Um irmão estranho apontou-me um acento vago, ao seu lado, onde me assentei.”

"O sermão já ia a meio e o pregador não parecia ser muito capaz. Mas enquanto ele falava sobre o gozo que a salvação traz a um homem perdido, eu senti um estremecimento.”
"Suas palavras, como setas dirigidas por Deus, feriram meu coração. Eu que sempre me vangloriei de ser duro e que vivi condenando os chorões, sem o perceber, estava ali com o lenço molhado, chorando, sem poder me conter.”

"Antes da bênção final, misturei-me aos fujões e dentro de alguns minutos estava em casa, com o coração aos saltos. Minha esposa estava com o almoço na mesa, servindo as crianças, quando entrei sem disfarçar a alegria que inundava meu ser:

— Querida — disse. — Vamos voltar!

— Para onde? — perguntou ela assustada.

— Vamos voltar para o nosso povo, para a nossa igreja, para o nosso Deus. Chega de reforma!

— Que aconteceu, querido? Que houve?

— Estive lá! Senti o gozo do que significa ser salvo! Não quero mais nada com essa reforma deformante. Reforma que depreda, que solapa, que calunia! Reforma de apedrejamentos, de críticas, de acusações e embustes que não têm fim! Estou cansado, querida! Cinco anos faz que estamos com pedras nas mãos, atirando contra nossos irmãos. Chega!

"Minha esposa estava atônita, de olhos arregalados, procurando adivinhar meus pensamentos. Por fim, depois que lhe contei toda a história e minha decepção pela reforma, ela, em soluços me respondeu:

— Querido, faz cinco anos que venho orando por esse momento! Nunca lhe disse nada para não magoar-lhe o coração, mas já que você me expõe com franqueza seu desejo de voltar, eu também quero lhe dizer que essa é a maior resolução da nossa vida! Voltaremos para nossa igreja! Voltaremos para o nosso povo! Querido, isto é felicidade demais!

"E foi assim, pastor, que nós voltamos. Alguns irmãos ainda olham desconfiados para nós, temendo segundas intenções; muitos, porém, já nos receberam de braços abertos, confiantes em nossa sinceridade.”

"Se esses que duvidam soubessem dos nossos sentimentos pela igreja de Deus e o que restou em nosso coração pelo moderno reformismo, jamais teriam coragem de nos tratar assim!”

"Conte, pastor, a nossa história! Quem sabe, em algum ponto desta Terra, no momento preciso, nossa experiência sirva para ajudar alguém".

Escrito por Benito Raymundo
Revista Adventista agosto de 1975

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