sábado, 26 de maio de 2012

História da Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma Segundo Marceu Antônio de Souza - II


História e Conversão de Reformistas “Bisnetos” II

Revista Adventista de abril de 1984
Marceu Antônio de Souza – Ex-reformista; atualmente é membro regular da Igreja Adventista de Rio Claro, SP.

Conforme os dizeres de Cristo em Lucas 11:17, todo reino dividido contra si mesmo será assolado e cairá. Já fizemos referência ao fato de que em 1951, a pretensa “reforma” de 1914, na audaz arrogância de constituir o cumprimento da descida do quarto anjo de Apocalipse 18:1, estando os seus principais representantes reunidos numa Conferência Geral ordinária, partiu-se praticamente ao meio, isto é, os 25 representantes mundiais da igreja separaram-se, ficando 11 para um lado e 14 para outro. Tal divisão não foi
contra A ou B, mas contra si mesmos. Foi uma luta tão ferrenha que não se limitou aos tribunais de justiça: os contendores foram também às “vias de fato”, isto é, agrediram-se fisicamente!

Antes da nauseante divisão, houve cerca de 15 dias de luta entre si mesmos. E, depois de os 11 se organizarem numa Conferência Geral da Reforma, e os 14 em outra do mesmo timbre, representantes de ambas as partes saíram pelo mundo afora, de país em país, de igreja em igreja, cada um querendo, a todo custo, conquistar para o seu grupo os crentes reformistas. Encontros e mais encontros, polêmicas e mais polêmicas, nefandas acusações de um contra o outro, brigas, empurrões, agressões, etc. Uma igreja chegou a ser arrombada, para que um grupo se reunisse à parte, sem que o outro estivesse presente. Ante tal nauseabundo espetáculo, os reformistas sinceros não se contiveram: levantaram suas vozes, falaram, gritaram, e depois rolaram pelo chão como crianças, chorando, soltando brados, pedindo a Deus misericórdia. Resultado: alguns foram para o mundo, outros para a igreja Adventista do Sétimo Dia, e para outras igrejas. Nem uma, nem outra “conferência geral” conseguiu aliciar todos para o seu lado. O povo também se dividiu e, em ferrenhas brigas entre irmãos na fé e famílias, uns optaram pelo grupo “dos 11”, e outros pelo grupo “dos 14”, tornando-se assim uma casa dividida contra si mesma, e demonstrando que não há nela nada de “quarto anjo”, pois como pode um anjo partir-se ao meio?

As denúncias de Nicolici

São estarrecedoras as discrepâncias e contradições que se verificam no conteúdo das explicações que o “grupo dos 11” vem dando, desde a referida divisão, até hoje.

Apresentando-se sempre como puritanos, o “grupo dos 11’, tentou, sem perda de tempo, através de Nicolici, dar “explicações” a respeito dos motivos que os levaram a travar a referida briga, e assim, enfrentar a oposição dos outros 14 representantes que, além de tachá-los de “rebeldes”, negavam ou justificavam todas as acusações dos 11 “puritanos”. D. Nicolici, principal dentre os 11, fora eleito, na ocasião, presidente da Conferência Geral formada por esse grupo.

Ante tal escândalo, era mister que alguém desse explicações concretas a respeito da crise, da divisão, e sobretudo dos motivos pelos quais os “11” se separaram dos “14”. Nicolici não perdeu tempo! Lançou um livreto intitulado “A Mão de Deus na Sua Obra e na Direção do Seu Povo”, mas conhecido como “ O livro do Pecado”, no qual inseriu um colosso de documentos e argumentos, demonstrado a hedionda corrupção que de muito vinha levedando a Conferência Geral da Reforma, através dos seus mais altos dirigentes. Segundo Nicolici, a corrupção atingia não apenas a ordem e organização estatutárias, mas também os princípios de fé na igreja, ferindo inclusive a própria lei de Deus.

Tais explicações queriam dizer, em síntese, que a corrupção havia sido banida da Reforma, pois, não só a haviam reprovado, como também haviam se separado dos corruptos, de vez que estes não quiseram reconhecer seus erros. Pelo contrário, tacharam-nos de “rebeldes” que fazem a “obra do diabo”. E assaz estarrecedor o que Nicolici exibiu nesse livro.

Pois bem, enquanto, por um lado, os representantes do grupo puritano dos 11 se regozijaram por terem expurgado a Reforma dos corruptos, apostatados, autoritários, arbitrários, apresentando agora uma Reforma relativamente “pura”, sob a direção de dirigentes realmente capazes e dignos do posto que passaram a ocupar, iniciavam mais duas operações relativas ao “grupo dos 14”:
  1.       Começaram a escrever cartas (circulares internas) para os seus dirigentes (onde estava o famoso C. Kozel), fazendo-lhes veementes apelos no sentido de os dois grupos super-rivais fazerem uma reconciliação, através de uma negociação para chegarem à paz e à união.
  2.       Começaram, por outro lado, a publicar artigos em seus periódicos e lições da Escola Sabatina, concatenando um colosso de profecias bíblicas e dos Testemunhos, e demonstrando que a “crise” por que a Reforma passara, em 1951, fora uma “sacudidura”, em cumprimento de profecias, como a seguinte:
“Deus está peneirando Seu povo. Ele terá uma igreja limpa e santa... Surgiu um povo corrupto que não poderia viver com o povo de Deus. Desprezaram a reprovação e não quiseram ser corrigidos...” ( Testimonies, vol. 1, pág. 99; citado no livreto “A Grande Crise e a sua Solução”, págs. 3 e 4,  publicado para uso exclusivo de obreiros e oficiais da igreja.)

Outra profecia da Srª. White, bastante citada como tendo também seu cumprimento na referida “crise de 1951”, é a seguinte:

“Diminuirá o número dos que faziam parte deste grupo” (Vida e Ensinos, pág. 175)

Conforme suas interpretações e explicações, estas e outras profecias semelhantes estariam prevendo a crise de 1951 na Reforma, sob os seguintes aspectos:
  1.  Surgiu o previsto “povo corrupto”, isto é, através dos mais altos funcionários que dirigiam a Obra;
  2.  Os adjetivos com os quais qualificam os “corruptos” são os seguintes: “Falsos deuses”, “falsos pastores”, “enganadores”, “rebeldes”, “desportistas que toleravam a imoralidade no ministério”, cuja “matéria purulenta” devia ser expurgada na igreja – e como o foi de fato na crise ou “sacudidura” de 1951.
Daí para cá, concluem eles, a igreja (a Reforma), conforme previsto pela profecia, ficou “limpa e santa”, embora (segundo a outra profecia) tivesse diminuído o número de seus membros. (Ver A Grande Crise e a Sua Solução, págs. 4 e 5)

Mas, o que foi que resolveu o problema e trouxe uma solução para a crise? Respondem eles: “A solução iniciada com a salutar reação em maio de 1951 termina aqui, varrendo por completo a diabólica pretensão à primazia.” (Ver A Grande Crise e a Sua Solução, pág. 26)

Mas, depois de tudo pronto, depois de expurgada a “matéria purulenta” (formada pelos principais chefes da Obra), que havia muito levedava a Reforma, o grupo “puritano” dos 11 enviou em 1967 outra carta para o grupo “dos 14” (denominados pejorativamente de “Kozelistas”), fazendo-lhes outra vez veementes propostas de “paz e união”.

Fantástico! ... Espetacular! ... Aquela “reforma” já “sacudida” em cumprimento de profecias; “limpa e santa” a partir da solução obtida graças à fatídica crise de 1951, convida repetidas vezes o grupo que contém “matéria purulenta”, a unir-se a eles!

Entretanto, a resposta dos “Kozelistas” a esta última tentativa de reconciliação, em 1967, foi apenas uma repetição das que já haviam dado a propostas anteriores de paz e união, a saber: “Dissolvam a organização que vocês fizeram à parte; entreguem-nos todos os cargos, inclusive todas as propriedades da Obra que estão com vocês. Voltem, então, e nos evidentemente estaremos de ‘braços abertos’ para recebê-los como ‘filhos pródigos’ voltando ao lar paterno! ... Há outra coisa ainda: os que, dentre vocês, foram batizados depois da separação de 1951, só os aceitaremos mediante o rebatismo.” Que tal? Não é isto fantástico?

Por incrível que pareça, houve, no “grupo dos 11”, alguns de elevada posição que estariam dispostos a “capitular”, a render-se à reconciliação, mesmo sob tamanha e deslavada petulância. A maioria, porém, rejeitou esta absurda exigência.
Este caso faz lembrar o seguinte texto bíblico: “O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal” (II S. Pedro 2:22)

Nicolici Se Confessa Arrependido

Depois de publicar o já mencionado livreto, demonstrando as razões pelas quais se haviam separados dos “corruptos” que até então erradamente dirigiam a Reforma, o Sr. Nicolici cometeu, na minha opinião, o maior de todos os disparates, que agravou mais ainda a questão. Em 1966 ele escreveu uma carta de reconciliação a Carlos Kozel. Desta vez não se tratava de uma carta propondo “paz e união”, em nome de toda a igreja. Era uma carta particular de Nicolici. Leiamos, pois, um trecho desta carta:

“Por meio deste apelo quero colaborar para a solução do caso. Lamento ter havido tal separação, e, de minha parte, sinto muito pela posição que ocupei, na crise de 1951, por não ter feito esforços para regularizar esta dificuldade. Está claro, hoje, que os métodos empregados não solucionaram as dificuldades, porém, as aumentaram... Quanto às acusações que tenho feito a alguém, e ao escândalo causado, sinto muito. Especialmente rogo ao irmão Kozel que me perdoe todos os feitos, pelos quais o tenho acusado, produzindo-lhe cuidados e dores. Estou disposto a perdoar todos aqueles que me apresentaram erroneamente em qualquer forma. Estou disposto a sujeitar-me a qualquer investigação, sendo esta pedida por resolução da maioria” (Carta datada de 4 de julho de 1966)

Da Reforma para o Verdadeiro Adventismo

Saibam, pois os reformistas menos avisados, que, em virtude de tais absurdos vistos e ouvidos nessa chamada “reforma desde o início”, pastores da Reforma, obreiros, colportores e membros leigos tem, tanto no Brasil, como no Exterior, descoberto a ilegalidade espiritual desse movimento, e sem perda de tempo tem aderido à Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Vamos citar os nomes de alguns deles, que ocupavam cargos de responsabilidade na Reforma: Dr. Emerik Kanio, pastor e ex-presidente da União Brasileira da Reforma; pastores Moisés Lavra, ex-presidente de Associação, no Rio de Janeiro, e em São Paulo; Wilmur C. Medeiros; prof. Josué Gouveia, prof. Rodolfo Bende, e outros mais. Em fevereiro de 1983 aderiu também à igreja Adventista do Sétimo Dia o pastor Carlos Bittencourt de Melo que, nestes últimos dez anos, exerceu vários cargos importantes na Reforma. Presidia a Associação Sul-Rio-Grandense da Reforma, quando pediu demissão.

No exterior, também, muitos pastores da Reforma, tanto do “grupo dos 14”, como do “grupo dos 11”, tem rompido com essa chamada “Reforma”, dividida ‘contra si mesma”, e aderido à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Entre outros egressos, vale a pena mencionar o Sr. Albert Müller, reformista desde de 1919, que foi pastor, e um dos que ajudaram na fundação da Reforma. Foi presidente da União Alemã da Reforma, e depois presidente da Conferência Geral da Reforma, durante o período que terminou em 1948. Durante a briga da fatídica “crise” ou divisão da Reforma de 1951, o Sr. Müller era um dos que compunham o “grupo dos 14”, constituindo-se um de seus grandes defensores. Foi eleito dirigente do Campo Brasileiro daquele grupo, depois da divisão de 1951, e ajudou a dividir a Reforma no Brasil, tendo sido muito forte e “nauseante” a briga que precedeu a divisão de uma igreja da Reforma existente em Cambira (Apucarana, PR). O Sr. A. Müller, porém, algum tempo depois descobriu, a exemplo de tantos outros, que nem o “grupo dos 14”, nem o “dos 11” tinha “Credenciais Divinas”. Sim, descobrindo isto ainda a tempo, o Sr. Müller resolveu não perder mais tempo, e aderiu à Igreja Adventista do Sétimo Dia, a exemplo de outros, de ambos os grupos. Vale a pena destacar ainda, o Sr. Helmuth R. Schneider, filho de um reformista veterano, da igreja de Cambira, PR (supracitada). Era um jovem, cujos pais aderiram ao “grupo dos 14”. Esse jovem estudou e se tornou pastor do referido grupo. Foi presidente da Associação, no Brasil, e depois foi presidente do Campo Missionário da Reforma, em Portugal. Esse pastor também descobriu os mesmos fatos que os demais, e veio para a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Enquanto os grupos rivais de reformistas se digladiam entre si numa “casa dividida contra si mesma”, a igreja Adventista do Sétimo Dia realiza no mundo, a obra prevista em Apocalipse 14:6-12, atuando em 190 países, divulgando a mensagem em 582 línguas e dialetos. Possui 50 editoras que publicam livros, revistas e panfletos em 182 idiomas; opera 153 hospitais e sanatórios, 294 clínicas, dispensários e lanchas, e 80 casas de retiro e orfanatos.

Apelo aos Reformistas

Aproveitando o ensejo, lanço por meio destas linhas um veemente apelo a todos os que se intitulam adventistas “reformistas”, desde os que podem ser classificados como “bisavôs”, até aos “bisnetos” e “tetranetos”. Creio que em meio aos fragmentos desse “prato” quebrado, há almas sinceras, conforme as que já temos visto, que tem discernimento para aceitar a Verdade Presente, dentro das suas legítimas estruturas traçadas pelo seu suficiente mentor: O Espírito de Profecia, em cumprimento de profecias bíblicas.

Oxalá todos os reformistas ou grupos de adventistas separados com outros títulos, despertem, e sigam o exemplo de muitos outros que já o fizeram e o estão fazendo agora: deixem essas ramificações transviadas e venham para a verdade.

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