segunda-feira, 9 de julho de 2012

Carta de Tomo Vocina Sobre o Terceiro Movimento de Reforma Sugerido por D. Nicolici

Pequena biografia de Tomo Voncina

Tomo Voncina nasceu em Spanovica, Iu­goslávia, a 16 de dezem­bro de 1915. Em 1931 foi batizado na igreja adventista do sétimo dia movimento de reforma e começou a colportar e trabalhar como missionário. Foi consagra­do ao ministério no ano 1935. Em 1942 se casou e tanto ele como sua esposa Maria trabalharam na pu­blicação de muitos livros do Espírito de Profecia com uma máquina Gestetner. Foi encarcerado muitas vezes por causa da verda­de. Em 1966 emigrou para a Austrália e foi delegado para conferência geral. Nos

últimos 20 anos de sua vida não atuou como mi­nistro, mas exerceu ininterruptamente cargos na igreja local. Depois de sua aposentadoria, distribuía li­teratura na obra missioná­ria. Morreu no dia 31 de maio de 1992.


Clyde Thomas Stewart 
Pequena biografia de ex-presidente da Conferência Geral do movimento de Reforma

C. T. Stewart nasceu em 1902, em Tintaldra, Victória, Austrália. Quando seus filhos ainda eram jovens, ele foi colportor na Igreja ASD. Conheceu o Movimento de Reforma e se uniu a ele. Depois da Segunda Guerra Mundial foi consagrado ao ministério. Por alguns anos ajudou na Escola Missionária de Hebron. Trabalhou como ministro na União Australasiana até o ano I963, quando foi eleito presidente da Conferência Geral. Depois de 1967 se aposentou e voltou à Austrália. Passou seus últimos anos em Queensland em uma dependência da igreja. Faleceu dia 12 de junho 1992.


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RELATÓRIO DA AUSTRÁLIA 
Por Tomo Vocina

Sidnei, 13/04/66 
Querido irmão Jovan e todos os demais irmãos:

Carinhosas saudações da minha parte e da minha família e meus amigos. Miq. 4:5-8.

Já tenho escrito anteriormente que a Conferência se realizaria do 1º ate 11 de abril de 1966. Efetivamente, esta celebrou-se na data fixada e aqui desejo mencionar alguns pormenores da mesma. Como Já tinha comunicado, viria Stewart, seu presidente da Conferência Geral, e também Nicolici, o representante do grupo separado dos Estados Unidos, e isto se tornou realidade.

Stewart veio 15 dias antes do congresso e rapidamente visitou cada grupo, onde tinha amigos seus para ganhá-los para si, e isto fez sem o presidente local nem qualquer outro obreiro. Coisa semelhante não tenho visto ainda em meus trinta anos de trabalho.

Nicolici veio 8 dias antes da Conferência, porém não foi a nenhuma parte; mas vieram visita-lo membros, obreiros, membros da comissão e delegados, em forma isolada.

Uma tarde também eu fui chamado, por intermédio de Haynes, o presidente da União. Foi-me dito que fosse a uma entrevista. Isto aconteceu 2 dias antes da Conferência. Então falei com D. Nicolici durante horas, na presença de 2 iugoslavos que serviam de interpretes. Nicolici apresentou a historia das causas da separação, ou seja, da atual separação nos Estados Unidos. Poderia escrever 5 páginas sobre isto.

Primeiramente acusou Lavrik e logo também Stewart, por sua teimosia e por agir sem conselho e de comum acordo. Em seguida surgiu uma luta entre lavrik e sua organização da Associação nos Estados Unidos. Lavrik tinha se apoderado de todas as propriedades da Associação e as colocou sob seu domínio absoluto, de maneira que a Associação ficou sem nada. Então os membros e os obreiros protestaram contra esse procedimento.

Para vingar-se disto, Lavrik dissolveu a organização e a colocou sob sua administração. Ao jovem Nicolici, que era o presidente da associação, o destituiu dos seus cargos. Depois disto surgiu um grande descontentamento. Ao jovem Nicolici enviaram-no as Filipinas, para livrar-se dele, pensando que então poderiam fazer com o povo como desejassem. Logo após veio a Conferência Geral na Alemanha. John Nicolici devia ir como delegado, mas Lavrik não o permitiu porque o temiam. Por esse motivo, entre eles se originou uma ruptura ainda maior. Nesta Conferencia Geral também esteve Nicolici, o pai, que então acusou Lavrik de agir de maneira desordenada e que tinha destruído a Associação nos Estados Unidos. Por esse motivo, então Lavrik foi destituído nessa Conferência. Em seguida a Conferência Geral redigiu uma resolução pela qual o novo presidente Stewart devia devolver todas as propriedades do campo americano e efetuar todos os arranjos necessários para que essa Associação fosse novamente uma organização independente. Em favor desta resolução votaram Ciric, Zic e Gabriel. Isto já não o podem negar.

Depois desta Conferência e um pouco mais tarde, terminou o tempo de trabalho de John Nicolici nas Filipinas, e ele voltou novamente a América. Nesse tempo chegou o presidente Stewart e tinha que cumprir a resolução. Convocou-se uma Conferência da Associação e John novamente foi eleito presidente da mesma.

Imediatamente ele (John) procedeu à eleição de uma comissão composta de iugoslavos, que fazia anos que estavam trabalhando ali, e alguns outros americanos. Então eles pegaram todos os documentos das propriedades e as colocaram em nome da Associação. Separaram as respectivas caixas da Associação e da Conferência Geral, e começaram a trabalhar de novo.

Quando Stewart viu o que estes faziam, exigiu que fosse devolvida a caixa a Conferencia Geral, mas eles não o permitiram, aduzindo que Já tinham sido muito defraudados. Em seguida surgiu uma discussão sobre: os dízimos dos dízimos que pertenciam a Conferência Geral, porem John achou que eles mesmos deviam a Associação vários milhares de dólares, e até que isto não fosse devolvido, não receberiam um só dólar. Para se vingar de John, novamente Stewart convocou a comissão da Conferencia Geral para exigir a John que devolvesse as propriedades. John rejeitou isto, e por sua parte reuniu sua comissão e apresentou-lhes o caso e o que se exigia deles. A comissão não acedeu e assim John e sua organização incorreram em desobediência e desrespeito. Portanto, Stewart dissolveu a organização da Associação. A John retirou-lhe a autorização de pastor e o excluiu. Mediante uma circular, ordenou aos membros que, dentro de um prazo terminante de 15 dias, se submetessem a Conferência Geral pois do contrario seriem excluídos. Logicamente, os membros não quiseram saber nada dele e, por conseguinte, Stewart excluiu todos – em numero de 92 - de uma só vez. Os membros, junto com John, tinham rejeitado sua declaração e chegaram com caminhões e retiraram todos os moveis e demais coisas da sua sede. Em seguida compraram uma nova propriedade para a igreja e assim se constituíram numa organização Independente.

Na mesma época, Nicolici, o pai , estava trabalhando nas Filipinas em lugar de seu filho, e então Stewart, através de um telegrama, ordenou-lhe que voltasse imediatamente aos Estados Unidos. Ele não o fez, ainda permaneceu 7 meses ali. Consequentemente, foi-lhe retirado o salário e toda ajuda. Nicolici aconselhou Stewart a devolver ao povo seus direitos de propriedade e retirar a declaração da exclusão dos seus membros e que somente assim lhe obedeceriam. Este (Stewart) não o fez e também excluiu Nicolici, o pai.

Então Nicolici e o filho convocaram a comissão para o 7 de fevereiro e ali acusaram Lavrik de ser o pior dos homens e o autor de todo o mal que se tinha originado, e stewart como o culpável nº 2. Ademais disseram que Kanyo, Balbachas e Laicovschi e estavam sob sua influência direta e que, portanto, participavam da culpa como associados.

Nessa reunião da Comissão resolveram não reconhecer nenhuma separação entre o povo de Deus e que a divisão de 1951 carecia de fundamento bíblico e que não a reconheciam. Contudo, a partir desse momento eles reconheciam a todo irmão e Irma de nossa parte como seus irmãos, e trabalhariam com todas suas forças para chegar a uma unificação da Reforma, etc., etc.

Na Conferência da Austrália, Nicolici exigiu ser chamado oficialmente para esclarecer as causas desta separação, mas Stewart se opôs. Porém, a pedido de muitos membros, também iugoslavos, Nicolici devia apresentar-se e defender-se publicamente, pois do contrario reteriam seus dízimos e ofertas e deixariam de prestar obediência. Então, ele (Stewart) se viu obrigado a permitir que Nicolici falasse, e isto aconteceu em 11 de abril de 1966, desde as 17 ate as 22 horas, na presença de todos os membros que assistiram.

Stewart acusou Nicolici e também seu filho de serem os culpáveis da atual separação, por desrespeitarem as determinações da Conferência Geral. Por sua vez , Nicolici respondeu lançando a culpa em Lavrik e Stewart pela situação surgida e que eles tinham destruído a obra da Reforma. Nessa ocasião, Nicolici chorou diante de todo o povo presente, dizendo: que era contrario a todas as separações e que eles tinham destruído a igreja: que estava pronto para sacrificar seu honor e ainda para ser castigado segundo a lei pelo que tinha causado: que unicamente almejava ainda uma coisa ver o povo da Reforma novamente unido numa só organização e irmandade.

Os delegados dessa Conferência redigiram uma resolução em prol da paz. Nela se menciona que tinham estudado em forma muito ampla as causas da separação de 1951 e encontrado o seguinte: que os mesmos homens que se separaram agora –Stewart, Nicolici e Lavrik -, desfizeram a igreja também naquela época. Disto se destaca que eles são culpáveis e que tem pecado contra Deus, e que era seu dever ir e reconhecer publicamente seus pecados perante Deus e sua igreja; que deviam tomar medidas e no mais curto tempo que fosse possível, e entrar em contato com nossa Conferência Geral a fim de obter a reconciliação e a unificação; e que se Stewart rejeitasse, eles mesmos fariam algo para encontrar o caminho da unificação. Esta declaração foi lida perante todo o povo e todos votaram em favor levantando a mão, com exceção de Stewart o que também ficou registrado no protocolo (atas).

Na minha entrevista com Nicolici, perante alguns irmãos iugoslavos e membros da comissão, ele reconheceu e se expressou assim com referência a sua Conferência Geral: “Somos um tronco sem raízes e ele não pode alimentar os galhos. Os galhos que tentamos cuidar não tem onde se agarrar portanto, estão quebrados, e se perdem.” Isto o aplicou a sua Conferência Geral como tronco, e as Associações como galhos.

Stewart abandonou a Conferência sem conseguir a paz. O povo retornou desapontado aos seus lares, pois não se fez uma só pregação espiritual que poderia ter-lhes dado alguma esperança. Portanto, Nicolici ficou aqui pela sua conta e trabalha para sua organização separada.

Tomo Voncina 

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AMPLIAÇÃO DO RELATÓRIO DA AUSTRÁLIA 

Desejo ampliar meu primeiro relatório e descrever algumas coisas que aconteceram depois da Conferência. Seu presidente, refiro-me a Stewart, não quis falar comigo, apesar das minhas intenções de falar com ele. Prometeu-me fazê-lo, mas não o cumpriu.

Depois da sua volta os membros exigiram novamente uma assembleia de membros e uma entrevista com o objetivo de unificação. Isto se fez no dia 17 de abril. Também eu fui convidado para esta Conferência e quando todos estávamos reunidos, vi para minha grande surpresa, que Nicolici estava a frente do grupo iugoslavo. Primeiramente ele falou durante duas horas e apresentou diversas acusações contra Stewart e Lavrik, defendendo-se a si mesmo, a seu filho e a sua organização dos Estados Unidos, e pediu que se organizaram independentemente dessa União: que elegessem uma comissão que ele presidiria e que, organizados desta maneira, trabalhassem contra seus dirigentes e quando sua organização estivesse feita, pediriam a todas as demais Uniões que seguissem seu exemplo em favor da unificação. Tudo isto ele disse na presença dos seus dirigentes e em forma pública, e pediu ao povo que votasse por esta resolução.

Em seguida me solicitou que ocupasse o púlpito e que manifestasse minha opinião sobre a unificação. Então se me apresentou a oportunidade de defender pública e oficialmente ante todo o povo a Reforma que represento. Comecei narrando as amargas experiências que tintamos passado depois de 1951, desde a primeira separação. Referi-me diretamente a alguns irmãos da Iugoslávia que também estavam presentes e que podiam confirmar como testemunhas como foi instigado o ódio entre os melhores amigos, como foram suscitadas as divergências, a perda e a decomposição da igreja de Deus. Por quê? Perguntei ao povo. Eles foram unanimes em responder que a origem foi a separação de 1951, Referi-me então a exposição de Nicolici, que tinha falado anteriormente, e tinha condenado : todos os caluniadores e transgressores de lei de Deus, e pedi ao povo que abandonasse todas essas coisas.

Depois apresentei alguns exemplos comprovados de calunias e acusações contra irmãos, e que foram escritos livros inteiros pelo mesmo Nicolici. Em seguida apresentei a posição de nossa Conferência Geral. Manifestei-lhes que nossa Conferência Geral agora era mais forte do que em qualquer outra ocasião. Não tínhamos mal-entendidos. A obra se tinha consolidado em muitas partes da terra. Tinham-se erigido muitas casas de culto no mundo: que na Alemanha havia um grande Sanatório e casa de saúde, escola missionária. No sul da África havia uma nova central para o trabalho nessa região. Expressei-lhes que na Suazilândia se tinha edificado uma escola para crianças e uma editora que agora enviava literatura a outros países. Que nós agora tínhamos maior número de membros que os outros. Disse-lhes que um grupo completo de Rieck, em Portugal, tinha aderido novamente a Reforma, e que a todos eles não lhes foi perguntado o que tinha acontecido no passado; eles reconheceram suas faltas e agora eram membros com os mesmos direitos na igreja de Deus.

Expliquei ao povo que agora não se pedia nada diferente e que se aqueles que se separaram admitissem que foi um pecado e reconhecessem publicamente esta falta, toda a questão seria resolvida rapidamente e tornaríamos a nos unir novamente: que não exigiríamos nada das propriedades, pois estas são patrimônio das Uniões e não da Conferência Geral. Pedi aos irmãos que não se deixassem continuar enganando para que não houvesse ainda experiências mais amargas e duras, e finalmente perder tudo. Em nome do Senhor, chamei-os a um sincero retorno a unidade e que, trabalhássemos nesta direção de maneira conjunta. Prometi-lhes acatar toda resolução em favor da unificação do povo de Deus.

No final da minha exposição, Nicolici pediu a todos os presentes que estivessem de acordo com a unificação que eu tinha proposto, que se levantassem com a mão em alto . Para minha surpresa, todos se levantaram erguendo a mão, em sinal de conformidade e apoio; inclusive o presidente da União assim o fez.

Depois disso Nicolici pediu a formação de uma Comissão de Paz, e pediu minha colaboração para isto. Neguei-me a isto dizendo que não podia votar em favor de nenhuma Comissão que fosse estabelecido fora da União, e que antes desejava apresentar isto a consideração dos membros da comissão de União, para saber suas opiniões. Pois já que se estabelece uma nova organização a par de que já existe e sob a direção de Nicolici, possibilitaria-se uma nova separação e assim se organizaria um terceiro grupo, como é atualmente o caso nos Estados Unidos. Pedi aos presentes para não se combaterem mutuamente, sem trabalhar unanimes em nome do Senhor; que se unam novamente a velha Reforma, que o Senhor nos ajudaria e bendiziria, e que recuperaríamos nossa sorte perdida .

No dia 18 de abril, novamente fui chamado diante da comissão e falei com eles sobre os problemas a serem resolvidos. Disse-lhes que se continuassem a fazer como vinham fazendo até então, perderiam o povo e Nicolici levaria a metade. Condenei todo o propósito de fazer uma terceira Reforma. Então levantou-se o presidente da União e estendeu me sua mão em sinal de reconciliação, beijou-me diante de toda a comissão e disse-me com uma voz triste: Acreditei que eras nosso inimigo, mas agora vejo que não é assim, agora me convenci que tu pensas somente no bem-estar de todo o povo.

Tomo Vocina







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